Vitor Araújo leva o Nordeste ao mundo com TORÓ, gravado ao vivo com a Metropole Orkest
Vitor Araújo acaba de fazer o que pouquíssimos artistas brasileiros conseguiram: subir como solista à frente de uma grande orquestra sinfônica internacional, e nos seus próprios termos. TORÓ, álbum e filme com a lendária Metropole Orkest, foi gravado ao vivo em Amsterdã e chega como declaração artística, não como cortesia de gala.
O trabalho solda ritmos nordestinos, experimentação eletrônica e grandiosidade orquestral num só corpo inquieto e festivo. Há macumbas orquestrais maximalistas inspiradas em Villa-Lobos, Moacir Santos e Jobim, uma faixa minimalista em que um rádio de pilha sintonizado ao vivo vira solista em homenagem a John Cage, e um afoxé de carnaval a 140 bpm colidindo com a melancolia espacial das cordas e da voz.
Com o lançamento, Araújo se junta a Edu Lobo e Ivan Lins no pequeno grupo de solistas brasileiros que já colaboraram com a Metropole Orkest. Recife, o mangue, os folguedos de Olinda e a sala de concerto europeia dividem o mesmo espaço, e o resultado lembra que a cultura feita na periferia segue ditando o tom da conversa.