Prendeu, matou: a política de segurança que fabrica o inimigo que promete destruir
O partido Missão, criado por integrantes do MBL, transformou o lema 'Prendeu, matou' em proposta oficial de segurança pública. O plano trata o suspeito como inimigo a ser eliminado, jogando no lixo a ideia de que a lei vale para todos e abrindo espaço para uma política de morte.
A história brasileira mostra exatamente o oposto do que o slogan promete: o Comando Vermelho nasceu dentro de presídios na ditadura, e o PCC surgiu meses após o massacre do Carandiru. Violência estatal e prisões precárias ajudaram a fabricar as maiores facções do país — repetir a receita é pedir o mesmo resultado.
Segurança pública de verdade é inteligência, investigação financeira, controle de fronteiras e reforma do sistema prisional. Não é execução sumária. O texto expõe o perigo de transformar vingança em política de Estado e convida a pensar em um combate ao crime dentro da lei.