Funcom demite equipes para alimentar a máquina dos jogos como serviço, e quem paga são os trabalhadores
A Funcom está dilacerando os próprios estúdios de novo. Logo depois de Dune: Awakening, o maior lançamento da história da empresa, a desenvolvedora norueguesa entra agora em uma reestruturação que vai encolher seu quadro de funcionários e, silenciosamente, mandar colegas valiosos embora, tudo para manter apenas Conan Exiles e Dune: Awakening rodando como operações vivas. O CEO Rui Casais, que está na casa há 22 anos e lidera a empresa desde 2011, deixa o cargo no fim do ano, substituído pelo diretor de produto Scott Junior.
Leia o discurso corporativo com atenção: a fase de produção de pico exige um tamanho de time, a de operação exige outro, e de algum modo são sempre os desenvolvedores que construíram tudo que são cortados quando o dinheiro do lançamento já foi contabilizado. Isso vem depois das demissões do ano passado e do fechamento da The Outsiders, estúdio de Metal: Hellsinger, após a aquisição da Funcom pela Tencent em 2020. Um estúdio de 32 anos feito por gente apaixonada está sendo espremido para virar apenas uma linha de produção de conteúdo da controladora.
A conta real é outra. Jogos não precisam ser valas comuns de talento. Precisam de equipes sustentáveis, contratos justos e lideranças que tratem pessoas como mais do que números a serem cortados quando o foco do trimestre muda. Conan e Dune podem crescer por anos, e deveriam, mas não às custas de quem tornou isso possível. Apoie os desenvolvedores, exija respeito e nunca deixe isso virar normalidade.