Bastam alguns dólares para derrubar o celular de um desconhecido da rede móvel
Pesquisadores da Michigan State University e de três universidades parceiras encontraram seis falhas no sistema que as operadoras dos Estados Unidos usam para bloquear celulares perdidos e roubados. Copiando o IMEI impresso na caixa lacrada e abrindo um simples registro de aparelho perdido, eles tiraram da rede um Samsung Galaxy Z Fold 7 novinho, ainda fechado, por módicos 2,50 dólares e menos de 80 segundos. O aparelho nunca foi perdido, nunca foi roubado e nunca tinha nem sido ativado. Simplesmente parou de funcionar.
O estrago não fica restrito ao mercado de celulares. Dois dos maiores provedores de alarmes residenciais dos Estados Unidos usam gateways com chipsets celulares de baixo consumo fabricados por duas empresas que somam mais de 40 por cento desse mercado, e duas dessas placas entregam o próprio IMEI para uma estação base falsa. Um ataque em duas etapas, com meses de intervalo, silencia o painel de alarme de uma casa sem que o morador ou a central de monitoramento percebam nada. Os mesmos chips estão em medidores de água e energia, sensores industriais e monitores cardíacos.
A equipe também mostrou que bases de dados de IMEI vendidas para verificadores da cadeia de suprimentos listam aparelhos de ponta antes mesmo do lançamento, permitindo blacklistar modelos que ninguém possui ainda: 250 dólares para queimar 200 mil dólares em hardware. A vítima não recebe aviso, não recebe explicação e ainda precisa provar que é dona do aparelho com nota fiscal e verificação de identidade, processo que pode escalar até a GSMA e levar semanas. As correções propostas são baratas perto do caos que evitam: verificação de documento para quem registra a ocorrência, checagens de propriedade em camadas e mais detalhes de segurança compartilhados entre operadoras. Até lá, tratar toda rede pública como hostil é o mínimo, e conexões criptografadas e focadas em privacidade, como a ProtonVPN, seguem sendo uma escolha sensata para o dia a dia.