Revisão criminal de Bolsonaro deve ir ao plenário do STF e recoloca a condenação de 27 anos em jogo
O ministro Edson Fachin indicou ao ministro Nunes Marques que a revisão criminal do processo que condenou Jair Bolsonaro deve ser decidida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, e não por uma única turma. O tamanho da aposta é enorme: Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe, e agora sua defesa quer reabrir a sentença no mesmo tribunal que o condenou.
O timing não é coincidência. Nunes Marques, indicado ao STF pelo próprio Bolsonaro, sinalizou que quer dar andamento ao caso logo depois do segundo turno, no final de outubro, movimento lido em Brasília como um aceno ao favoritismo de Flávio Bolsonaro. Ministros que se mantiveram à margem das disputas internas defendem que, por ser a primeira revisão criminal da história da Corte, só o plenário tem legitimidade para analisá-la.
Tire o jargão processual e o quadro fica evidente: um homem que tentou destruir a democracia procura agora a turma mais amigável do prédio. O Supremo não pode virar máquina de favores para quem atacou as instituições do país.