O paradoxo da moradia na Espanha: do boom da construção à crise de acessibilidade
A Espanha acaba de provar que construir milhões de casas não garante moradia acessível. Depois de uma década de construção especulativa, o país enfrenta uma grave crise habitacional, com aluguéis e preços de venda expulsando famílias de seus bairros.
Neste fim de semana, milhares foram às ruas exigir mais proteção para inquilinos depois que o parlamento rejeitou uma legislação emergencial de habitação. O despejo de uma idosa que morava há sete décadas em um apartamento em Madri virou símbolo de um sistema que trata a moradia como ativo, não como direito.
A lição é clara: sem moradia pública, controle de aluguéis e um rompimento com o fundamentalismo de mercado, até um boom da construção deixa gerações inteiras de fora. A crise espanhola é um alerta para toda cidade onde o lucro vence as pessoas.