Finlândia, o país mais feliz do mundo, é empurrada para uma austeridade que pode desmontar os serviços públicos
A Finlândia segue no topo do Relatório Mundial da Felicidade, mas os números por trás da festa contam uma história bem mais dura. A dívida pública chegou a 90,3 por cento do PIB, contra cerca de 65 por cento antes da pandemia, e o déficit fiscal deve chegar a 4,2 por cento do PIB em 2026, patamar que não se via desde a recessão dos anos 1990.
A União Europeia abriu um procedimento por déficit excessivo e pressiona Helsinque a corrigir a rota, enquanto o governo de direita promete economizar cerca de 9 bilhões de euros sem mexer em impostos. Economistas apontam que o buraco real está mais perto de 8 a 11 bilhões de euros, e isso significa que a conta cai sobre serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias, não sobre os mais ricos.
Com desemprego em 10,3 por cento, o maior do bloco, desemprego juvenil em 23,3 por cento e mais de um quarto da população ocupada no setor público, analistas alertam que uma nova rodada de austeridade seria um golpe duro numa economia já fragilizada pelo consumo das famílias em queda. Felicidade não é linha de orçamento, e não deveria servir de desculpa para desmontar o Estado de bem-estar social.