Fed congela juros dos EUA às vésperas das eleições, e crise do custo de vida pressiona Trump
O Federal Reserve manteve os juros dos Estados Unidos na faixa de 3,75% a 4% ao ano nesta quarta-feira, a poucos dias das eleições de meio de mandato que vão definir o controle do Congresso americano. É a 15ª decisão desde que Donald Trump voltou à Casa Branca e a quarta sob o comando de Kevin Warsh, o presidente indicado por ele após meses de atritos públicos com Jerome Powell.
Com a inflação em 3,7% em 12 meses, quase o dobro da meta de 2%, e o petróleo em disparada por causa das tensões no Oriente Médio, o comitê teve pouco espaço para cortar. Dois diretores chegaram a votar por uma alta de 0,25 ponto, o que mostra o tamanho da distância entre a realidade dos preços e as promessas de crédito barato feitas pelo governo republicano.
O cálculo político é duro: 32% aprovam o governo e 73% dos americanos dizem que o custo de vida está indo na direção errada. Com todas as cadeiras da Câmara e um terço do Senado em disputa, juros altos viraram tema de campanha, e o efeito chega ao Brasil, com pressão para manter a Selic elevada por mais tempo e o real vulnerável a um dólar mais forte.