Depois da eleição, governo avaliza empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios com garantia para bancos
O governo federal concedeu garantia para um empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios poucos dias depois do fim da eleição presidencial. Um consórcio de bancos formado por ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan terá o Tesouro Nacional como avalista caso a estatal não honre as parcelas. O timing é impossível de ignorar: a medida foi formalizada apenas após o segundo turno, embora o empréstimo já estivesse em discussão havia meses.
Os Correios acumulam 15 trimestres seguidos no vermelho, com prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. Em vez de tratar o serviço postal como infraestrutura pública essencial, o governo entrega aos bancos privados uma receita garantida enquanto trabalhadores e usuários sofrem com a crise financeira. O plano de vender seguros e atuar no mercado de telefonia pode gerar caixa, mas também mostra como o serviço público é pressionado pela lógica de mercado. Um debate sério sobre financiamento, universalização e controle público é urgente.