Cafeicultores sufocados: poder de compra de fertilizantes despenca no início da adubação da safra
Os produtores de café do Brasil entram na adubação da safra 2027/28 com bem menos poder de fogo. Segundo a análise do Cepea/Esalq/USP, o cafeicultor precisou de quase 19,4% mais café em setembro só para comprar a mesma quantidade de adubo que adquiria em agosto, um aperto brutal que chega justamente no início da primeira adubação da próxima safra.
O motivo é uma oscilação violenta de preços. O arábica foi negociado na casa dos R$ 1.600 a saca de 60 kg neste ano, uma queda acentuada frente ao recorde de R$ 2.700 do ciclo anterior, enquanto o robusta girou perto de R$ 990. Com margens mais apertadas, cada compra de insumo vira um cálculo de alto risco e o planejamento das próximas remessas já está em andamento.
E o clima não ajuda. Um inverno mais úmido, chuvas atípicas em julho que atingiram cerca de 30% da lavoura ainda não colhida e a influência do El Niño colocam em risco a qualidade dos grãos, o sabor da bebida e o valor das exportações. O mercado global segue dependente da produção brasileira e não tira os olhos do país.