Ataque na cadeia de suprimentos da Brevo envenenou sites de clientes com malware ClickFix por mais de cinco horas
Bastou uma única chave de API da Cloudflare com permissões totais, embutida direto no código-fonte. A Brevo confirmou que atacantes roubaram essa credencial e a usaram para criar um Cloudflare Worker malicioso que reescrevia o conteúdo na borda da CDN, injetando scripts ClickFix no brevo.com, no sendinblue.com, nas páginas de login e onboarding e nos scripts de formulários, conversas e SDK que os clientes embutem em seus próprios sites. A janela de exposição durou cerca de cinco horas e meia em 14 de setembro, e a empresa de segurança Sansec estima que até 100 mil sites que dependem desses componentes foram atingidos.
Como o payload era servido pela borda e removia cabeçalhos de segurança como o Content-Security-Policy, servidores de origem e arquivos pareciam totalmente limpos, e as verificações padrão de integridade nunca dispararam. Visitantes viam uma falsa página de verificação da Cloudflare seguida de instruções ClickFix mandando executar um comando no Windows. Em sites WordPress, o script injetado checava se o visitante era um administrador logado e tentava instalar um plugin falso chamado Web Media Optimizer, que se esconde da lista de plugins, se enterra no diretório must-use, busca JavaScript novo em servidores remotos e traz uma chave embutida capaz de gerar uma sessão de administrador válida sem precisar da senha.
A Brevo afirma que removeu o Worker, revogou a chave, apagou a credencial embutida do código, deletou domínios controlados pelos atacantes e limpou os caches da borda, além de garantir que o app, a API, a entrega de e-mails e os dados de contas não foram afetados. Administradores de WordPress que navegaram em um site afetado logados no dia 14 de setembro devem auditar plugins instalados naquele dia e trocar as senhas de administrador. A lição é dura e direta: uma credencial esquecida no código e uma CDN confiável bastam para incendiar toda uma cadeia de suprimentos. É por isso que telemetria na borda, gestão de segredos e uma camada séria de VPN e DNS criptografado nas máquinas que acessam sistemas de produção deixaram de ser opcionais.