Banco Central estuda limitar crédito pela renda enquanto endividamento das famílias passa de 50%
O Banco Central estuda um modelo que vincula o volume de crédito liberado à renda do consumidor, uma tentativa de frear o endividamento das famílias brasileiras. Segundo apuração confirmada por duas fontes que participam das discussões, a autoridade monetária também avalia mais responsabilidade para os bancos na análise de cada operação e de cada novo limite, além de observar referências internacionais como as restrições de Cingapura ao crédito sem garantia por faixa de renda.
Duas normas já estão aprovadas e vão mudar a forma como o crédito é oferecido. A primeira cria o Painel de Dívidas Consolidadas, em que o consumidor verá, antes de contratar, uma simulação com parcelas, compromissos já assumidos e o quanto sobra por mês, com alertas automáticos quando o comprometimento atingir 40% da capacidade mensal de pagamento, a partir de 1º de julho de 2027. A segunda exige avaliação da capacidade de pagamento e da adequação do produto ao perfil do cliente antes de qualquer oferta individual, com efeito em 31 de março de 2027.
Os números mostram por que o tema é urgente. O endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda anual em agosto de 2026, o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29% e cerca de 84 milhões de consumidores estavam inadimplentes. O debate sobre crédito sem garantia, cartões incluídos, é uma oportunidade rara de colocar as pessoas à frente de um modelo de crédito movido a lucro, com uma mensagem clara: transparência primeiro, armadilha da dívida nunca.