4,3 mil denúncias de assédio eleitoral em três dias: Ministério do Trabalho reage a patrões que usam o emprego para interferir no voto
O Ministério do Trabalho e Emprego recebeu 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho em apenas três dias, número que cresce em meio a uma nova onda de publicações nas redes incentivando demissões e listas de boicote contra trabalhadores por preferência política. O Sudeste concentra quase metade dos registros, com 2.087 casos, puxados por São Paulo (1.325), Rio de Janeiro (354) e Minas Gerais (345).
O ministro Luiz Marinho anunciou uma força-tarefa nacional para fiscalizar ameaças de demissão, perseguição, rebaixamento e outras formas de constrangimento contra funcionários. Quem usa o poder econômico para tentar ditar o voto alheio está na mira: casos comprovados podem render autos de infração e ser encaminhados a outros órgãos públicos, incluindo o Banco Central, que pode considerar as informações na concessão de financiamentos e empréstimos.
O ministério ainda estuda criar uma lista pública de transparência com empresas envolvidas em assédio eleitoral, nos moldes do cadastro de empregadores flagrados em condições análogas à escravidão. Ao lado do Ministério Público do Trabalho, AGU, TST, Ministério Público Eleitoral e Ministério da Justiça, o governo cobra de plataformas como Google e Meta a remoção de conteúdos que estimulem perseguição política e leva orientações diretas aos trabalhadores pela Carteira de Trabalho Digital. O voto é livre e secreto; salário não é cédula eleitoral.