Justiça condena Marinha por ataques racistas à memória de João Cândido
Em um giro histórico, a Justiça Federal condenou o Estado brasileiro pelas tentativas contínuas da Marinha de manchar a memória de João Cândido, o almirante negro que liderou a Revolta da Chibata. As decisões reconhecem que a linguagem institucional da Marinha cruzou a linha do racismo e da depreciação moral, violando valores constitucionais como dignidade humana, igualdade racial e direito à memória.
As sentenças representam uma grande vitória para a justiça reparatória. João Cândido foi perseguido por décadas após 1910 e, mesmo depois de receber anistia post mortem em 2008, sua família e seu legado seguiram sem reparação plena. Mais do que uma disputa jurídica, é um acerto de contas com o racismo institucional e uma exigência de que os heróis negros finalmente recebam o respeito que merecem.